notes

Yasmin Taketani

Meus trabalhos como arquiteto, por mais inventivos que fossem, pareciam separados da vida real da cidade por uma barreira quase intransponível — ao passo que os esforços que eu realizava de forma anônima na bancada do escritório, esforços que não tinham outro fim a não ser a sua própria experimentação, esses, eu tinha certeza, faziam parte do trabalho comum da cidade.

Lívia e o cemitério africano

Poema de Alberto Martins. Ilustração de DW Ribatski.

Objetos verbais não identificados 

O ‘eu’, porém, é um cara gordo com botinas sujas, sua pisada faz barulho e enlameia o caminho por onde passa.

Comida em Parati, em Meu amor, de Beatriz Bracher

P. S.: Por que é importante ler?
No nono e último círculo do Inferno, da Divina Comédia, estão os traidores de seus hóspedes. Dante conta que eles estão perpetuamente imersos no gelo apenas com a cabeça de fora e os rostos voltados para cima, impedidos de continuarem a chorar, pois as lágrimas do “primeiro pranto, qual viseira de cristal”, congelam-se depois de inundar “do olho a cava inteira”. Fiquei pensando se a literatura também não é a possibilidade de abaixar o rosto e chorar de olhos fechados. Desprender-se de uma só dor e poder chorar, inclusive, a dor de muitos outros.
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