“ Publicar é expor as suas fragilidades. E tem algo de obsceno nisso, no sentido de que a publicação implica de alguma forma a revelação de uma intimidade. Mesmo na escrita sem nenhum traço autobiográfico aparente, o que está em questão é sempre o escritor. É com a sua visão de mundo, sua sensibilidade e experiência que o texto se constrói. Sempre na relação com o outro e o mundo à sua volta, mas o filtro é o do escritor, de seu universo interior. Escrevemos sobre nós próprios mesmo quando o que escrevemos não têm nada a ver com a nossa vida pessoal. ”
Amilcar Bettega em Publicar livros
se sienta a la mesa y escribe
“con este poema no tomarás el poder” dice
“con estos versos no harás la Revolución” dice
“ni con miles de versos harás la Revolución” dice
y más: esos versos no han de servirle para
que peones maestros hacheros vivan mejor
coman mejor o él mismo coma viva mejor
ni para enamorar a una le servirán
no ganará plata con ellos
no entrará al cine gratis con ellos
no le darán ropa por ellos
no conseguirá tabaco o vino por ellos
ni papagayos ni bufandas ni barcos
ni toros ni paraguas conseguirá por ellos
si por ellos fuera la lluvia lo mojará
no alcanzará perdón o gracia por ellos
“con este poema no tomarás el poder” dice
“con estos versos no harás la Revolución” dice
“ni con miles de versos harás la Revolución” dice
se sienta a la mesa y escribe
Juan Gelman
“ J’enlève mes lunettes. Je couvre mes yeux de mes mains et reste ainsi quelques minutes dans l’attitude de la réflexion mais en réalité incapable de fair se succéder logiquement et utilement mes pensées. Un flot de mots inadéquats roule dans mon esprit. Je me sens distraite, de façon déplacée, en même temps que profondément anéantie. Plus je tâche de rassembler mes idées et plus celles-ci m’échappent et quand, enfin, j’en tiens quelques-unes, elles m’apparaissent sans intérêt ni conséquence, aussi je les laisse voguer librement et plonge de nouveau dans mon incompréhensible absence. ”
Mon coeur à l’étroit - Marie NDiaye
“ A contraideologia é um movimento individualizante que faz com que o singular apareça; aquele singular que parecia inteiramente absorvido pela universalidade da ideologia dominante está lá, pulsando. E é ele que vai dizer coisas que durante séculos e séculos serão repetidas e a gente vai ler e vai se comover com aquilo. ”
“ A literatura, em especial a outrora chamada prosa de ficção, está em retirada. Não sei se ainda haverá tempo de nós, escritores, marcarmos encontro nas catacumbas, ao redor de fogueiras, e lermos nossos textos uns para os outros, enquanto devoramos nacos de carne crua. ”